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| Casos recentes de doença de Haff reacendem alerta sobre consumo de pescados no país | Foto: Fabiane de Paula |
O registro recente de casos da doença de Haff - também conhecida como “doença da urina preta” - no país voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde e da população para uma condição rara, porém potencialmente grave, associada ao consumo de pescados. Em 2025, três casos foram confirmados no município de Itacoatiara, no interior do Amazonas, conforme divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do estado. Dois dos pacientes pertenciam à mesma família, e os episódios ocorreram nos meses de junho e dezembro.
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A doença de Haff é caracterizada pelo desenvolvimento súbito de rabdomiólise, um quadro que provoca a destruição das fibras musculares e a liberação de substâncias na corrente sanguínea. Os sintomas costumam surgir em até 24 horas após o consumo de peixes ou outros animais aquáticos e incluem dores musculares intensas, rigidez, fraqueza e alteração na coloração da urina, que pode ficar escura, semelhante a café ou chá preto.
De acordo com o levantamento das autoridades de saúde, ao longo de 2025 foram notificados nove casos de rabdomiólise em três municípios amazonenses. Após investigação epidemiológica detalhada, apenas três foram confirmados como doença de Haff, todos registrados em Itacoatiara. Os pacientes relataram início dos sintomas cerca de nove horas após ingerirem peixe, principalmente pacu, preparado de forma frita ou assada e consumido em ambiente domiciliar.
Os exames laboratoriais realizados apontaram níveis elevados da enzima creatinofosfoquinase (CPK), com média de 6.400 U/L, valor bastante acima do considerado normal para adultos. A elevação dessa enzima é um dos principais marcadores para o diagnóstico da rabdomiólise e, consequentemente, da doença de Haff, quando não há outras causas conhecidas que expliquem o quadro clínico.
A coordenadora do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Amazonas (Cievs-AM), Roberta Danielli, informou que todas as notificações passaram por investigação criteriosa, realizada em conjunto com as vigilâncias municipais. Segundo ela, em todos os casos compatíveis houve relato do consumo de pacu, preparado de maneira simples, principalmente frito ou assado.
Apesar de ainda não existir um agente causador identificado, a doença de Haff exige atenção imediata. Não há tratamento específico, e a abordagem médica é focada no controle dos sintomas e na prevenção de complicações, especialmente a insuficiência renal. A hidratação intensa e o acompanhamento da função dos rins são medidas fundamentais. Na maioria dos casos, o prognóstico é favorável quando o atendimento ocorre de forma rápida e adequada.
