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| Pertences das vítimas do acidente na Serra da Barria, em União dos Palmares, ocorrido em 24 de novembro de 2024 | Foto: Reprodução |
Quatro dias após o Dia da Consciência Negra, a Serra da Barriga se tornou cenário de uma das maiores tragédias já registradas em União dos Palmares. No fim da tarde de 24 de novembro de 2024, um ônibus que levava moradores para uma atividade cultural perdeu o controle e caiu em uma ribanceira durante a subida. O impacto foi forte, e o resgate mobilizou equipes durante toda a noite.
No local, dezesseis pessoas morreram imediatamente. Nos dias seguintes, mais quatro vítimas não resistiram aos ferimentos, totalizando vinte mortos. A cada confirmação, a cidade mergulhava mais fundo no luto. Para muitos moradores, a coincidência da tragédia ocorrer tão perto de uma data simbólica aumentou o choque e a tristeza.
As vítimas fatais foram:
- Luciano de Queiroz Araújo (motorista do ônibus) - 47 anos
- Thamires Caroline da Silva - 35 anos
- Lourinete Figueiredo Batista - 53 anos
- Ivone Clemente da Silva - 37 anos
- Rosimeire Barros da Silva - 54 anos
- Andrielly Rafaella de Santana da Silva - 14 anos
- Alaide Tereza de Jesus, 84 anos
- Josefa Marcelino, 45 anos
- Heloíse Ferreira da Silva, 21 anos
- Saulo Hermínio da Silva, 24 anos
- Antoniele Fernanda Américo da Silva, 31 anos
- Pedro Henrique Américo da Silva Filho, 14 anos
- Linelenes "Aline" Florêncio dos Santos, 38 anos
- Maitê Francine Romão da Silva, 5 anos
- Maria Joselani da Silva Lima Santos, 32 anos
- Jobson Gabriel Lima dos Santos, 9 anos
- Sebastião Azevedo Alves, 73 anos
- Vandilma Floro de Gouveia Melo, 57 anos
- José Cícero Aquino da Silva, 50 anos
- Pedro Manoel da Silva, 65 anos
Relatos de sobreviventes indicam que o ônibus apresentou instabilidade segundos antes da queda. A investigação concluiu que não houve falha mecânica comprovada, e que fatores humanos e as condições difíceis da estrada podem ter contribuído. A via é estreita, íngreme e cercada por áreas de difícil acesso, o que também dificultou o trabalho de resgate.
Para os familiares, o período após o acidente foi marcado por velórios, buscas por explicações e uma rotina interrompida pela ausência repentina de entes queridos. Muitos afirmam que ainda esperam respostas mais claras e uma definição sobre responsabilidades. A prefeitura ofereceu apoio, mas a reconstrução emocional permanece lenta.
Um ano depois, a tragédia ainda é lembrada com dor em União dos Palmares. A Serra da Barriga, conhecida pela história de resistência e liberdade, passou a carregar também a memória das vinte vidas perdidas. E, para as famílias, a data continua sendo um lembrete de que aquele novembro jamais será esquecido.
